Este último post do blog Inusitados é especial. Em primeiro lugar, é dedicado à gastronomia – e afinal, quem não gosta de experimentar comidas novas e descobrir restaurantes? Em segundo lugar, desta vez pedimos a opinião de alguns de nossos leitores para saber, afinal, o que se pode comer de inusitado em Porto Alegre.


Para o estudante de Relações Internacionais pela UFRGS Renan Andrade nada é mais esquisito que comida japonesa. “Na primeira vez que eu comi sushi eu não fazia ideia do que estava comendo, só engolia. Com o tempo comecei a adorar o gosto”, afirma. Entretanto, Renan não sabia que a comida japonesa poderia ficar ainda mais inusitada. Foi quando ele descobriu o temaki, ou em um termo mais popular, o “sushi em cone”. Na verdade, os temakis vêm se popularizando na capital gaúcha há pouco mais de dois anos, mas ainda são desconhecidos por boa parte da população.




Para os iniciantes, Renan indica o Temaky Express Lounge, localizado na Rua Padre Chagas, 65. Dentre as opções do cardápio estão temakis com peixes variados como o tradicional salmão, camarão e até mesmo polvo. Mas o mais inusitado é mesmo o horário de funcionamento do restaurante, que é conhecido por ser um dos estabelecimentos que fica aberto até mais tarde na Padre Chagas. De quinta a sábado, o local fecha às 6h da manhã, sendo uma alternativa para aqueles que voltam de festas na madrugada.




A também estudante de Relações Internacionais Sílvia Sebben não é a maior fã de comida japonesa. Mas garante que de outro tipo de comida ela é especialista: massas. Como toda boa descendente de italianos, Sílvia é fã daquele que é um dos pratos favoritos dos porto-alegrenses, especialmente no inverno. E para ela, nada na cidade se compara ao tradicional Atelier de Massas, localizado na Rua Riachuelo, 1482.


“Na verdade, o Atelier de Massas é bastante conhecido”, diz Sílvia. “O inusitado do lugar é a ambientação. Tem muitos quadros diferentes nas paredes e tudo é muito aconchegante, parecendo pequeno, mas isto esconde um dos melhores restaurantes da cidade”, completa. De fato, os quadros nas paredes são uma das atrações do local e são notados logo de cara. Nada surpreendente, considerando que o dono do local, Gelson Radaelli, é um artista plástico. As telas são pintadas por ele e por outros artistas.




Já a oficial de justiça Ariane Grachten sugere o Restaurante Bóris. Para ela, o local é uma opção em Porto Alegre para quem busca uma refeição com qualidade, preço acessível e um ambiente agradável. Somando a essas características música e cultura, o resultado é o número 778 da Avenida Oswaldo Aranha.

Comandada desde abril pelo chef Pépe Laytano, a cozinha mediterrânea do Restaurante Bóris tem influências de outras regiões do mundo visitadas pelo próprio cozinheiro. O cardápio do restaurante é fruto de anos de pesquisa que desvendaram as raízes da culinária mediterrânea e tem características das culinárias africana, italiana, francesa, oriental e judaica. “O forte da casa são as massas, que eu mesmo faço antes de cada refeição. Essa é a influência italiana aqui do restaurante. Depois das massas os mais pedidos são os frutos-do-mar, e a maioria deles é importada lá do mediterrâneo. Também não pude deixar de oferecer carne de gado, por que é isso que o gaúcho quer”, afirma Pépe Laytano.



A preparação dos pratos requer muita habilidade e capricho dos cozinheiros. Temperos orientais e conchas do Mar Mediterrâneo fazem parte da decoração requintada. A carta de bebidas também oferece produtos importados como vinhos chilenos, sul-africanos e europeus, além de cervejas especiais.
A intenção de Pépe Laytano era criar um ambiente voltado para a cultura. Ele optou pela sua preferência musical, o Jazz, para embalar as refeições. As apresentações de Puppa Santana nas noites de terça-feira e sexta-feira são parte das atrações culturais oferecidas pelo Chef. Além disso, o casarão de 1918 leva um projeto de arte de rua na sua parede externa com a pintura do artista gaúcho Trampo. Segundo o músico Puppa Santana, o clima é ideal para quem quer curtir uma janta especial:

“Essa combinação de gastronomia com arte tem tudo a ver. A nossa música tem um estilo diferenciado de Jazz, que é para os clientes comerem e conversarem com um som baixinho ao fundo. Tocamos um Jazz Fusion com alguma coisa da Bossa Nova de Toquinho, João Gilberto e Tom Jobim”, conta Puppa Santana.

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Para quem pensa que albergue é sinônimo de casa de repouso para velhos é porque ainda não conhece o Hostel Casa Azul. Situado no bairro mais boêmio da capital, Cidade Baixa, oferece aos hóspedes um ambiente de conforto e descontração. A idéia foi dos quatro amigos: Daniel Pereira, Rafael Favero, Murilo Odorns e Carlos Augusto, que inicialmente iriam abrir um bar. “Nós alugamos uma casa na aqui na [rua] Lima e Silva, e isso deu um impulso enorme à idéia de abrir um negócio”, contou Daniel Pereira, um dos sócios. “Há uns anos, nós percebemos que faltava um hostel em Porto Alegre, já que, ao contrário de muitos outros lugares do mundo, ela se limitava apenas a pensões e pousadas. Então, substituímos a ideia do bar pela de um hostel. Fomos os primeiros a ter um padrão internacional de hostel na cidade.”



O hostel está localizado em uma das ruas mais agitadas da noite portoalegrense. Não precisa ser hóspede para frequentar a casa, que tem um bar aberto ao público em geral. “O clima lá é muito bom, mesmo de madrugada. A gente nota que eles estão à nossa disposição 24 horas mesmo, que o albergue está sempre ativo”, relata Guilherme dos Santos, que passou por lá na madrugada de sábado para domingo e foi atendido por um recepcionista que estava de plantão. “Até troquei uma ideia com o cara, eles são super-receptivos”, complementa.
A tarifa diária custa a partir de 30 reais, com café da manhã incluído. O atendimento é 24 horas, a cozinha é equipada, tem computadores e wi-fi, além de churrasqueira e sala de jogos. Para mais informações sobre os serviços da casa, acesse o link abaixo da reportagem.



A ideia dos hostels nasceu em 1909, quando o professor alemão Richard Schirmann começou a organizar viagens para seus alunos. Foi em 1912 que ele criou o Albergue da Juventude, o primeiro hostel, na cidade alemã de Altena. A intenção era acomodar os estudantes de maneira mais econômica e promover uma maior convivência entre eles. No Brasil, os primeiros hostels foram criados nos anos 1960 com o movimento hippie e a geração “Pé na Estrada”. Atualmente, esses albergues somam quarto mil unidades e estão presentes em mais de 60 países. Essa expansão foi facilitada com a Internet, que permite que os mochileiros pesquisem as possibilidades de acomodações e façam as suas reservas antes da viagem. Outra facilidade é a Federação Internacional de Albergues da Juventude, uma rede mundial de hostels que permite a associação dos viajantes e oferece descontos e oportunidades a quem se hospedar longe de casa.



Veja mais fotos aqui

Links inusitados:
Casa Azul Hostel


O Veteran Car Club do Rio Grande do Sul é uma associação de expositores de carros antigos, e tem o objetivo de aproximar carros, seus proprietários e apreciadores. No dia 18 de abril aconteceu a 26ª exposição do clube, que ocorre mensalmente no Shopping Total.

Os carros chegam no início da manhã, conduzidos por seus motoristas com muita classe e estilo. Ocupam parte do estacionamento do shopping permitindo que os curiosos apreciem os modelos retrós. Entre os automóveis mais atrativos estão os modelos Puma Gte ano 1980, Corcel Gt Xp ano 1972 e Chevrolet Belair Impala ano 1960.



Segundo a organizadora do evento, Rose Lopes, os donos dos carros aproveitam o encontro para rever os amigos e exibir relíquias automotivas. É uma oportunidade para tratar de peças antigas, lugares de compra, troca dos modelos e divulgação.

O expositor Ney Motta, dono de um MP Lafer ano 1978, conta que o carro é utilizado pela família, principalmente em casamentos no qual os noivos são levados para a lua de mel com todo charme e glamour do automóvel.  O carro já ganhou premiações e é muito visto na exposição pelos curiosos que conferem a mostra. “Na vinda para Porto Alegre, nos perguntaram na estrada sobre como adquirimos o carro, onde podem encontrar mais modelos, quanto custa… Estamos acostumados com o assédio!”, revelou Luiz Camargo, filho do dono, sobre a preciosidade automobilística da família.



Confira abaixo um vídeo feito durante o evento que mostra alguns dos carros expostos no evento.



Veja mais imagens aqui.

Links inusitados:
AutoClassic – site que divulga encontros de donos de carros antigos
Hotpa – eventos, vendas e notícias sobre carros antigos
Veteran Car Club – Clube de carros antigos


Dona Zilka D’Ôrnelas Ponsi, 79 anos, funcionária pública aposentada, e sua filha, Ângela, possuem algo que muitos viram apenas por fotografia. Um meio de transporte em que tantas pessoas gostariam de ter andado um dia e que hoje elas disponibilizam para quem quiser conhecer. Não é somente de um bonde de 13m de comprimento por 3m de largura, mas, sim, de um espaço em que há produção e integração artístico-cultural, aberto para o público.



Ângela D’ Ôrnelas Ponsi, 38 anos, arquiteta e artista plástica, foi a responsável pela aquisição deste patrimônio cultural que estava destinado ao desmanche. O bonde, que abrigou um bar em Ipanema e, posteriormente, funcionou como igreja evangélica no Lami, já não comportava satisfatoriamente o número de fiéis. Ângela, então, no ano de 2000, buscou a “sucata”.

Iniciou-se um árduo trabalho de restauração, cuja intenção de manter a maior parte de peças originais possível teve sucesso. Esse trabalho contou com a ajuda dos próprios trabalhadores, que “entraram no espírito”, improvisaram uma oficina ali mesmo (a fim de evitar o deslocamento do bonde) e adaptaram o maquinário necessário para a reforma.



Nota-se a preocupação com a educação ecológica que permeia o trabalho realizado no atelier e é refletida nas obras de arte, nas iniciativas e projetos, bem como na própria construção da casa. Os tijolos, a escada, as esquadrias, tudo dentro da idéia de “lixo decorativo”, uma iniciativa que vai de encontro à cultura do desperdício, a qual elas fazem questão de combater, por uma via bem criativa.

Várias atividades, como hora do conto, hora da arte, sarau de música, exposições e aula de pintura são realizadas ali, na Av. Otto Niemeyer, 1.173, e contam, ainda, com a participação de outros profissionais, como a psicopedagoga Verônica Bilhalva e a artista plástica Glaucia Scherer. Sobre o trabalho destinado às crianças, Ângela cita a “Oficininha”, que conta com uma hora do conto, piquenique e alguma apresentação ou teatro que a psicopedagoga proponha, dentro de uma programação que varia de encontro para encontro. Zilka, hoje poetisa e trovadora, ressalta o caráter terapêutico da proposta, proporcionado pela arte.



O Atelier agrega uma proposta cultural que respeita a ecologia, bem como o aspecto terapêutico, à possibilidade de conhecer um meio de transporte tirado de circulação em nossa cidade, mas que um dia já se constituiu em um símbolo porto-alegrense. Por isso, o espaço é uma opção bem interessante àqueles que buscam novidades na nossa capital.

Para ficar por dentro das atividades do Atelier do Bonde clique aqui.

Para ver mais fotos clique aqui.

Texto e fotos são uma participação especial de Jonas Fraga, convidado do blog para a realização desta postagem.


Atualmente, cinemas de rua são cada vez menos comuns, e os shopping centers concentram a quase totalidade das salas de exibição. Em Porto Alegre isto não é diferente. Foi-se o tempo das matinês nas salas do Cacique e do Royal e o motivo é a facilidade oferecida pelos grandes shoppings, como a segurança e a conveniência, que acabaram prevalecendo ao charme dos cinemas de rua.

Hoje a capital oferece àqueles que ainda buscam esse diferencial cinemas como o Victória, a Casa de Cultura Mário Quintana e a Usina do Gasômetro. Fugindo à regra, o Guion Center também é uma opção de cinema diferenciado em Porto Alegre. As salas estão dentro do Shopping Nova Olaria, que concentra apenas serviços culturais, como livrarias, lojas de discos e bistrôs.

Os atrativos da casa começam pela seleção dos filmes exibidos. Em geral a programação oferece projeções do circuito de cinema europeu e outras obras conceituais que não costumam receber espaço nas mídias tradicionais. Isso faz com que o Guion tenha um público fiel com perfil específico. Na sua maioria são jovens de estilo alternativo e pessoas de mais idade.

O não aproveitamento da totalidade das cadeiras durantes as sessões fez surgir a iniciativa de apostar em poltronas mais largas e pufes para apoio dos pés, o que também destoam das convencionais salas de cinema.


A aposentada Marília Mendes, frequentadora assídua do local durante a semana – considera o silêncio o principal diferencial dos cinemas do Guion Center. Para ela, o ambiente é muito agradável, o que favorece àqueles que desejam apreciar o filme. “É bem mais tranquilo que nos shoppings”, afirma. Ela também comenta sobre o público que costuma ir ao estabelecimento: “o público é bem jovem ou bem velho. Os jovens são mais alternativos. E a faixa dos 30 aos 50 anos não vem tanto”.

Sua amiga e companheira de sessão Eneida Souza diz que a inovação do Guion em retirar metade das poltronas foi válida. “Para os gordinhos, veio bem a calhar, porque as poltronas eram mais apertadas”, brinca. “Está mais confortável e com mais espaço. O pessoal fica mais acomodado”, completa.

A também aposentada Lígia Pujol compartilha da mesma opinião, ainda que não costume frequentar o local. Para ela, os diferenciais do Guion, como o perfil do público, são muito convidativos.



Endereço do Guion Center: Gen. Lima e Silva, 776



Outro exemplo similar é o Instituto NT (Naum Turquenitch) de Cinema e Cultura, que traz diversificadas atividades relacionadas ao cinema, à cultura, à educação, à promoção de ações sociais e ao entretenimento. Destina seus espaços para a realização de atividades culturais e educativas com foco na inter-relação do cinema com as demais formas de arte e expressão como Literatura, Patrimônio Histórico, Filosofia, Artes Plásticas, Comunicação, Música e Inclusão Social.


Instituto NT de Cinema. Foto: divulgação.

Endereço do Instituto NT: Rua Marquês do Pombal, 1111

Links inusitados:

Instituo NT de Cinema

Cinemas Guion

Circuito Fellini – mostra de filmes do diretor italiano

Fantaspoa – mostra de filmes de terror em Porto Alegre

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Todas as pessoas têm objetos que cuidam e com os quais se importam. Alguns deles possuem utilidade e outros têm um grande valor emocional. Mas eles não deixam de ser, simplesmente, objetos.

Em uma cidade como Porto Alegre, tão aberta a todos os tipos de cultura, espetáculos do Brasil e do mundo entram em cena para promover um evento gratuito. Aconteceu pela primeira vez em Porto Alegre, no Cais do Porto, dos dias 25 a 28 de março, o Festival Internacional de Teatro de Objetos. O evento é voltado para crianças, devido ao forte apelo visual, e adultos, que se fascinam pela nostalgia trazida. A cenografia é temática e interativa, o que auxilia na integração com o público. E, assim como este, o festival em si é bastante variado – os teatros envolvem objetos como palitos de fósforos e serrotes. Ao mesmo tempo, shows musicais, curtas-metragens e exposições de objetos curiosos.

Além disso, as pessoas poderiam optar por participar de oficinas interativas. Dentre elas, havia uma sobre a introdução ao teatro de objetos – que teve suas vagas esgotadas. Já os grupos teatrais vieram de diversos países, como França, Itália e Argentina.

Um dos organizadores do evento, Carlos Mambert, explica que as companhias de teatro de Porto Alegre têm participação significativa no evento. Para ele, “a evolução da ideia do teatro de objetos começou a se desenvolver há 30 anos. No teatro, na verdade o objeto acaba sendo uma metáfora e é isso que traz a novidade e o diferencial para qualquer técnica de teatro. Mexe muito com o imaginário”.

O imaginário também é o que move Lia Corrêa. Arquiteta e artesã, ela possui uma loja em que esculpe miniaturas de pessoas com biscuit – espécie de porcelana fria. Começando com uma miniatura do próprio pai, a qual hoje está exposta em sua loja, ela logo viu a oportunidade de expandir seu talento e montar seu negócio. A “Miniatura de Gente” encontra-se hoje no meio do Caminho dos Antiquários, na Marechal Floriano, centro da cidade. Lia recebe encomendas diversas, de casamentos a miniaturas de pessoas famosas, criadas a partir de fotos selecionadas. O grande diferencial do trabalho de Lia é justamente a possibilidade de retratar fielmente traços que remetam às características do modelo, o que confere um forte grau de nostalgia.

No andar superior da loja de Lia, seu sócio Renan Fedrizi possui um estúdio de fotografia, a Rearte Produções. Ali, ele cria fotos que, segundo o próprio fotógrafo, saem do comum. Parte de suas obras têm parceria com Lia, como através da montagem de fotos com os biscuits. Misturando recursos como programas de computador e atividades manuais, Renan pode produzir montagens sobre temas tão diversos como cerveja e Marilyn Monroe. A atriz, aliás, é uma das musas deste fã de cinema – sua coleção de fotografias de cinema é uma de suas maiores paixões e não está à venda.

Uma caminhada por Porto Alegre pode revelar os lugares mais improváveis. De um festival de quatro dias a lojas pouco conhecidas, o potencial de Porto Alegre para adoradores de objetos diferentes e inusitados fica evidente – temos certeza de que eles existem.

Links inusitados:

FITO Festival

Miniatura de Gente

Rearte Produções

Wonderland – museu de plastimodelismo, na Demétrio Ribeiro

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Apresentação

18mar10

Inusitados é um blog que vai tratar de lugares e serviços de Porto Alegre que você provavelmente não conhece mas está louco para conhecer.  Nosso público alvo é o portoalegrense que cansou de fazer os mesmos programas e ir sempre aos mesmos lugares. Não aguenta mais o Brique da Redenção? O pôr-do-sol do Guaíba já não te atrai? Cansado de pagar flanelinha na Cidade Baixa?

Saia da Porto Alegre que você conhece e venha para uma Porto Alegre inusitada! Apresentada por cinco estudantes de Jornalismo da PUCRS: Daniel Fraga, Filipe Brum, Jonathas Costa, Maya Lopes e Sabrina Benedetti.